Marido alega que médica não ingeriu bebida alcoólica antes de matar verdureiro atropelado

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Com isso, depoimento foi remarcado para 3 de março de 2022 devido à falta de testemunhas.

DA REDAÇÃO

Aritony de Alencar Menezes, marido da médica Letícia Bortolini, que atropelou e matou o verdureiro Francisco Lúcio Mara, na madrugada do dia 14 de abril de 2018, na avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, afirmou que a esposa não ingeriu bebida alcoólica antes do acidente e que os dois só se deram conta de que ela havia atropelado uma pessoa após a chegada dos policiais. Com isso, seu depoimento, prestado ao juízo da 12ª Vara Criminal de Cuiabá na tarde desta quinta-feira (2), foi remarcado para 3 de março de 2022, devido à falta de testemunhas.

Ainda segundo Aritony, ele dormiu no trajeto de volta para casa e só soube do que tinha acontecido ao ser acordado pela esposa, que mostrou o amassado na porta do carro.

“Eu me assustei em ver o carro com a porta amassada, sem retrovisor. Nisso, eu fui chamar meu pai para mostrar o que estava acontecendo e já chegaram os policiais. Eles falaram que o carro tinha atropelado uma pessoa e ela tinha morrido”, contou em depoimento.

Ele ainda garantiu que Letícia só havia ingerido bebida alcoólica no dia anterior, no evento na Cervejaria Louvada, onde ela postou fotos segurando um copo de bebida próximo a um barril de chopp.

Segundo ele, a organização do evento pedia para que as pessoas postassem foto segurando o copo vazio para poderem ganhar a bebida. Aritony disse que o copo que a esposa estava segurando era para pegar uma bebida para ele, porque ela não estava bebendo.

“Tinha duas moças paradas que te davam um copo vazio para postar a foto pra elas, somente após isso poderia pegar a cerveja […] Demorava demais pra chegar a cerveja, ela pegava junto duas cervejas pra mim”, justificou.

Ele contou que foi separado da esposa durante depoimento na delegacia e acabou indo embora porque se sentiu ameaçado pelas pessoas que foram chegando no local.

“Estavam jogando pedra dentro da delegacia e eu estava desprotegido, sem proteção policial. Por isso que eu saí, eu não ia ficar ali pra sofrer uma agressão”, disse.

Desde a morte do trabalhador, já foram feitos ao menos três laudos periciais referentes ao acidente e a audiência para interrogatórios de testemunhas e ré, adiadas várias vezes.

SOBRE O CASO

Conforme a denúncia do Ministério Público Estadual, no dia 14 de abril de 2018, por volta das 19h30, a médica Letícia Bortolini atropelou o verdureiro Francisco Lúcio Maio, causando a morte do trabalhador.

Em setembro de 2018, o MPE acusou Letícia Bortolini por quatro delitos referentes ao atropelamento. Pesa contra ela os crimes de homicídio doloso, dolo eventual, omissão de socorro e conduzir veículo embriagada.

LAUDO APONTA 101 KM/H

O último laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) divulgado em fevereiro deste ano apontou que a médica dirigia a 101 km/h quando atropelou e matou o vendedor de verduras. Consta ainda que Francisco Lúcio Maia já estava na faixa da esquerda da avenida quando foi atingido pelo veículo, um Jeep Compass.

O laudo aponta, inclusive, que o carrinho de verduras que ele transportava já estava sobre o canteiro central da via no momento do atropelamento e sequer chegou a ser danificado com o acidente. O novo laudo da Politec, entretanto, não conseguiu concluir se Francisco Lúcio Maia ainda estava em movimento ou estava parado no momento da colisão.

Na hipótese em que o pedestre estivesse parado, a colisão poderia ter sido evitada pela médica. Contudo, considerando a vítima em movimento, não seria possível frear o veículo a tempo, mesmo se Letícia estivesse transitando de acordo com a velocidade permitida na via.

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