Economia de R$ 700 milhões na renegociação do Estado com banco americano é “uma falácia”, diz Éder Moraes

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DA REDAÇÃO
Enquanto o governo de Mato Grosso dá como certa a renegociação da dívida dolarizada com Bank Of America (BofA), com a expectativa de alongar o prazo para pagamento em 20 anos e reduzir o valor das parcelas anuais de US$ 70 milhões para US$ 12 milhões, o assunto ganha repercussão nos bastidores políticos e, principalmente, econômicos de Mato Grosso.

Essa dívida foi contraída ainda na gestão do ex-governador Silval Barbosa. Anualmente, são pagas duas parcelas, sendo nos meses de março e setembro.

A pergunta que persiste é quanto à vantagem dessa renegociação, ou seja, se essa economia pretendida pela Fazenda estadual seria real ou meramente ilusória. O Estado prega que ao invés de pagar semestralmente, passará a pagar todo mês, mas em valores menores. E isso, com o alongamento do prazo  e uma teórica redução dos juros, até então praticados em 5% ao ano, conforme acordo inicial com o banco americano.

Ex-secretário de Fazenda Eder Moraes

Para o ex-secretário de Estado de Fazenda Éder de Moraes Dias, um dos idealizadores da negociação inicial com o BofA, não procede a expectativa do governo.

“Não há qualquer economia para o Estado”, atesta Eder Moraes,  classificando a projeção do  governo, de “mito”.

“Dizer que o Estado vai economizar R$ 763 milhões nos próximos três anos é uma falácia.  O que ocorre é que estamos apenas alongando o perfil da divida e passando a dever mais, muito mais”, explica, criticando a falta de clareza quanto a informações “indispensáveis à transparência” dessa renegociação, como um detalhamento dos custos adicionais que envolvem as tratativas, com nos casos do IOF e da  taxa cambial de conversão, por exemplo.

“É preciso informar também quais as penalidades por atraso, quais as exigências da STN [Secretaria do Tesouro Nacional] para ser avalista, por ser um risco soberano, já que pode apresentar surpresas desagradáveis no futuro, e também sobre as penalidades que o BOFA estará aplicando, por quebra de contrato, mesmo que seja uma liquidação antecipada”, aponta Éder Moraes, que alega não ter visto o governo informar se a pretensão, nessa renegociação, que a dívida será em moeda brasileira ou em Dólar.“ Isso ainda não está claro. “Penso que será em Dólar, pois se for em Real, jamais serão apenas 3,5% ao ano”, emendou, se referindo ao risco de permanecer com a variação cambial por mais 20 anos.

Christiano Antonucci

Mauro Mendes - reunião Banco Mundial

Governo do Estado e ALMT se reuniram com representantes do Banco Mundial na quarta-feira (20)

A renegociação da dívida do Estado de Mato Grosso com o Bank Of América, via Banco Mundial, na visão de Éder, beneficia mais os banqueiros do que propriamente o Estado.

“Estamos diante de um negócio da China para os banqueiros e apenas acomodando as parcelas dentro de um ‘alívio’ maior de caixa pseudo-compensatório, ou seja, é como se devêssemos um cheque especial e apenas alongássemos o perfil da dívida e com juros ainda escorchantes. É como se a dona-de-casa fosse comprar um guarda-roupas, com juros de 10% ao mês. Ela não faz a conta dos juros, mas sim, quer saber se a parcela cabe no bolso”, exemplifica.

Já o secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, sustenta que os juros vão ficar menores e o prazo será esticado. Gallo avalia que as tratativas com o Banco Mundial já estão alinhadas. “O que queremos fazer é, ao invés de só pegar a parcela a partir de setembro para a frente [8 parcelas], nós pegaríamos 9 parcelas, incluindo aí essa de março. Esse é nosso pleito com o banco americano. E isso que ele está avaliando”, concluiu.

POR HIPERNOTÍCIAS

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