Distrito sanitário confirma 100 indígenas Xavantes com o coronavírus e 9 óbitos em MT

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Por REDAÇÃO

O último boletim do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xavante, ligado à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), publicado na última quinta-feira (25/06), aponta 102 casos da doença confirmados da covid-19, entre indígenas da etnia Xavante. No entanto,  estes números divergem das cifras oficiais da própria Sesai, que contabiliza cinco mortes e 84 infecções entre esses indígenas. O Ministério da Saúde informou que a divergência se deve ao tempo em que as notificações locais demoram para ser incluídas no sistema geral. O DSEI confirmou a ocorrência dessas nove mortes nas últimas 24 horas, por exemplo, mas o Ministério da Saúde ainda não.

Segundo o jornal El País, o coronavírus já chegou em pelo menos quatro dos nove territórios da etnia que se distribuem ao longo de 14 municípios do Mato Grosso. O primeiro óbito entre esse povo foi o de um bebê, em 11 de maio, na terra Marãiwatsede. Ali, 12 indígenas foram infectados e dois morreram. Agora, o território mais afetado é a Terra Indígena de São Marcos, que concentra 64 dos 102 casos confirmados. “O vírus está se alastrando muito rápido. Esta semana, uma senhora teve que ser transferida para uma UTI em Cuiabá, onde faleceu”, de acordo com relato de Clarêncio U’repaiwe Tsuwté, presidente do conselho distrital da comunidade.

Foi com o objetivo de alertar os indígenas de São Marcos sobre a gravidade da doença que o líder xavante Crisanto Rudzo Tseremeywá gravou um vídeo de um leito hospitalar, na última segunda-feira (22/06), com um aparelho de respiração. Ele e os pais foram infectados em junho. O pai continua internado em uma UTI, a mãe faleceu na quarta-feira (24/06). “Prestem muita atenção no que vou falar, se você está se sentindo mal, a saúde não está boa, seu peito está doendo, se está sentindo falta de ar, não espere muito, você deve buscar o tratamento. Quando a doença já estiver tomando conta, é muito difícil curar. Quando começa a fechar o pulmão é muito difícil para salvar, a nossa imunidade é muito baixa para essa doença”, alerta Crisanto, em seu próprio idioma.

Com o objetivo de socorrer os Xavantes, neste tempo de pandemia, várias ações tem sido articuladas por ONGs, como a Apib (Associação dos Povos Indígenas do Brasil) que lançou a campanha Emergência Indígena – Plano de Enfrentamento à Covid19 no Brasil,  iniciativa que possui uma plataforma com informações e dados atualizados sobre a evolução da doença nas comunidades indígenas do país. Também foi lançada esta semana a campanha SOS Xavante, na qual o ator Marcos Palmeira pede ajuda para os indígenas.

“Essa campanha é específica para o povo Xavante que está lutando há 80 anos. Um dos povos mais guerreiros do Brasil. Então é muito importante que você colabore, ajude, pra que esse povo consiga passar por essa pandemia com o mínimo de dignidade”, afirma.

Segundo a plataforma da Apib, até a tarde desta segunda-feira (29), havia entre as comunidades indígenas do Brasil 9294 casos confirmados de covid-19, 383 óbitos e 119 povos afetados.

(Com El País- foto reprodução)

 

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